ALADA: O Novo Marco do Programa Espacial Brasileiro! Veja como a criação da empresa promete superar barreiras históricas e ampliar as oportunidades no programa espacial brasileiro.

Descubra como a criação da Alada pode transformar o setor aeroespacial no Brasil, atraindo investimentos e promovendo inovações tecnológicas.

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (10/12), o projeto de lei (PL 3.819/2024) que autoriza a criação da ALADA – Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A., uma empresa pública brasileira voltada para projetos aeroespaciais. Esta nova instituição será encarregada de executar grandes projetos no setor, incluindo o desenvolvimento de satélites, foguetes e outras tecnologias inovadoras. “Hoje é um marco histórico para o programa espacial brasileiro, eu tenho um prazer pessoal de ter atuado na aprovação dessa empresa na Comissão de Relações Exteriores”, ressaltou o Senador Astronauta Marcos Pontes após a reunião da comissão.

A criação da ALADA tem sido discutida há muitos anos. O projeto foi elaborado pela Força Aérea Brasileira ( FAB) em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, durante a gestão do então ministro Marcos Pontes (2019-2022) no MCTI. No entanto, a criação da empresa sofreu dificuldades devido às restrições orçamentárias impostas pelo Ministério da Economia, na época.

Empresa pública de projetos aeroespaciais será subsidiária da NAV Brail

A ALADA atuará como uma subsidiária da NAV Brasil, independente e temporária, adotando uma estrutura consolidada de uma empresa reconhecida por suas boas práticas de gestão ética. A NAV Brasil é uma estatal de serviços de navegação aérea que foi criada em 2020, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, exercendo funções anteriormente desempenhadas pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), como a operação de radares e a medição meteorológica.

A principal função da ALADA será atrair investimentos privados para complementar o orçamento público, com os recursos arrecadados sendo reinvestidos no programa espacial brasileiro. Isso traz benefícios para as áreas de ciência e tecnologia, além de gerar impactos socioeconômicos positivos para a população. 

 Saiba como a nova empresa pode capturar uma fatia do mercado de lançamentos espaciais e impactos gerar positivos em diversos setores da economia

De acordo com o Senador Astronauta Marcos Pontes, que foi o relator da Lei Geral do Espaço no Senado, em 2024, a empresa pode faturar US$ 3 bilhões se capturar a fatia de 1% do mercado global de lançamento de micro e pequenos satélites. “como ministro do MCTI, com o programa espacial atrelado ao ministério, nós fizemos o desenvolvimento do Centro Espacial de Alcântara (CEA) através do acordo de salvaguardas tecnológicas, que permite que o CEA lance foguetes e satélites de quaisquer países, desde que tenha componente americano e desde que a gente proteja a tecnologia. 80% do mercado internacional tem esses componentes, então possibilitamos a possibilidade do CEA ser comercial, faltava 1 item que era ter uma empresa para fazer essas negociações”, disse o senador Pontes.

A empresa é considerada “estratégica” para o Brasil, pois contribuirá para a autossuficiência em materiais aeronáuticos, espaciais e bélicos, além de desenvolver tecnologias sensíveis utilizadas nas indústrias aeronáutica e de defesa. A iniciativa também visa otimizar as operações do Comando da Aeronáutica, especialmente nas áreas relacionadas ao controle do espaço aéreo e à navegação.

Essa iniciativa visa explorar as oportunidades únicas que o Brasil oferece, destacando-se o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, cuja localização privilegiada possibilita lançamentos mais eficientes e competitivos. Com a criação da ALADA, não haverá apenas um avanço industrial, mas também será possível posicionar o país na vanguarda de um setor estratégico para o futuro, integrando ciência, tecnologia e soberania econômica.

Aquela região de Alcântara, os quilombolas, são amigos meus, aquilo deve ser uma das regiões mais ricas do país. Vai poder trazer desenvolvimento para a região, para o programa espacial brasileiro, poder mudar o cenário da atividade espacial do Brasil. É uma alegria muito grande, é um dia histórico para sair comemorando”, destacou o Senador Astronauta Marcos Pontes. 

O projeto prevê ainda a contratação de pessoal técnico e administrativo por tempo determinado, permitindo que uma empresa conte com servidores públicos e militares cedidos para suas atividades. Além disso, os recursos do Fundo Aeronáutico serão utilizados para implementar projetos de interesse do Comando da Aeronáutica.

A criação da ALADA representa um passo significativo para fortalecer a capacidade do Brasil no setor aeroespacial, promovendo a inovação e garantindo uma maior independência em relação a fornecedores estrangeiros. Segundo Pontes, “A gente vai tentar empurrar mais rápido com urgência para o plenário para aprovação e o país vai ganhar muito no contexto espacial e com isso em todas as outras vertentes , o espaço serve para agricultura, segurança, meio ambiente.. com tecnologia nacional”. 

A inteligência espacial no dia a dia

A atividade espacial traz impactos positivos em setores estratégicos. No agronegócio, por exemplo, imagens de satélite podem prever safras, monitorar terras agrícolas e otimizar o uso de recursos como água e fertilizantes. Tecnologias de sensoriamento remoto ajudam ainda na detecção de previsões e doenças. Na pública, dados espaciais são fundamentais para monitorar atividades ilegais e aprimorar sistemas de segurança, alerta e navegação. Na área da saúde, a telemedicina possibilitada por satélites em regiões leva atendimento remoto, enquanto experimentos realizados em microgravidade podem contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos. Na educação, a internet via satélite expande o acesso em comunidades isoladas, e iniciativas como a Olimpíada Brasileira de Astronomia despertam o interesse pela ciência e tecnologia. Por fim, na defesa civil, os satélites são essenciais para prever previsões climáticas e mapear áreas de risco, permitindo respostas mais eficazes a desastres naturais. Esses benefícios ressaltam o papel da exploração espacial no desenvolvimento sustentável e na melhoria da qualidade de vida.

Entenda como a nova empresa pública irá contribuir para o desenvolvimento de satélites e foguetes, colocando o Brasil na vanguarda da exploração espacial.

A ALADA terá como eixos estratégicos a realização de lançamentos espaciais, o gerenciamento de projetos aeroespaciais e a exploração econômica de produtos e serviços relacionados. Entre os projetos previstos estão a operação de foguetes suborbitais, que alcançam o espaço sem entrar em órbita, além da integração de motores aeronáuticos e VLMs (veículos lançadores de microssatélites) em colaboração com fornecedores especializados. A empresa desempenhará um papel crucial na execução de lançamentos espaciais e na gestão de sistemas aeroespaciais, promovendo inovações no setor.

Entre os serviços e produtos estratégicos da Alada estão o lançamento e a comercialização do foguete VSB-30, que também é capaz de alcançar o espaço sem entrar na órbita, além do gerenciamento de projetos relacionados a motores aeronáuticos e VLMs, em parceria com empresas especializadas.

Além disso, a Alada será responsável por avaliar a obtenção de patentes, promovendo a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias estratégicas. Com essas atribuições, a busca estatal atrai investimentos e aumenta o protagonismo do Brasil na indústria aeroespacial global.

Com o mercado aeroespacial global projetado para crescer 200% até 2035, o Brasil não pode ignorar o potencial econômico e estratégico dessa área. A criação da ALADA representa uma solução inovadora para enfrentar desafios históricos do Programa Espacial Brasileiro (PEB), como a escassez de recursos e a dificuldade em operações profissionais.

Ao funcionar como um escritório de projetos e conectar as diversas partes interessadas, a Alada se estabelece como um pilar essencial na construção de um programa espacial mais eficiente e competitivo.

O projeto é de iniciativa do Poder Executivo, foi aprovado na Câmara dos Deputados em novembro. O relator do PL na CRE do Senado foi o Senador Esperidião Amin (PP-SC). O presidente da CRE que aprovou o projeto foi o Senador Chico Rodrigues (PSB-PE).

A aprovação do projeto de lei que cria a ALADA marca um momento decisivo para o futuro do programa espacial brasileiro. Com a missão de promover o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e atrair investimentos privados, a empresa se posiciona como um pilar essencial para fortalecer a capacidade do Brasil no setor aeroespacial. Ao integrar diferentes partes interessadas e descentralizar atividades da Força Aérea Brasileira, a ALADA não apenas otimiza recursos, mas também amplia as oportunidades de negócios e inovação.

Além disso, a iniciativa promete gerar resultados positivos em diversos setores, como agronegócio, segurança pública, saúde, educação e defesa civil, demonstrando que a exploração espacial vai além da tecnologia, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população. Com o potencial de capturar uma fatia significativa do mercado global de lançamentos espaciais, a ALADA representa uma oportunidade única para o Brasil se destacar em um setor estratégico e em crescimento.

O entusiasmo do Senador Astronauta Marcos Pontes reflete a esperança de que essa nova empresa impulsione o país rumo a um futuro mais inovador e competitivo no espaço para o Brasil.

Assista a entrevista da TV Senado

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