O país enfrenta um cenário alarmante para a educação e a cultura. Nos últimos cinco anos, o país perdeu 7 milhões de leitores, colocando em evidência uma crise que afeta diretamente a educação, a cultura e o desenvolvimento do conhecimento. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil“, do Instituto Pró-Livro, divulgada em novembro (2024) mostra que, pela primeira vez, a maioria da população brasileira (53%) admitiu não ter lido sequer uma página de um livro nos últimos três meses, seja ele literário, didático ou religioso – incluindo a Bíblia, em formatos impressos ou digitais.
Essa tendência alarmante se reflete em todos os segmentos sociais, independentemente de gênero, escolaridade ou renda. Os únicos grupos que mantiveram os índices de leitura foram os jovens entre 11 e 13 anos e os idosos com mais de 70 anos. Contudo, a redução da leitura nas demais faixas etárias representa uma ameaça significativa ao papel essencial que a prática ocupa como pilar da educação, estímulo à criatividade e caminho para a empatia.
Um problema que afeta o futuro da sociedade
O estudo ainda destaca que a média de livros lidos por brasileiro caiu de 2,6 para 2 nos últimos anos. Quando se considera apenas a leitura de livros inteiros, essa média despenca para 0,82 por entrevistado. A falta desse hábito pode resultar em uma sociedade menos crítica e mais desinformada. As famílias também estão contribuindo para essa crise; o hábito de apresentar livros caiu de 63% em 2019 para 61% em 2024 , diminuindo o incentivo à leitura na infância.
O desinteresse pela leitura vai além da questão educacional; ele compromete o desenvolvimento da sociedade como um todo. Estudos apontam que a leitura contribui para a formação de cidadãos mais conscientes, criativos e críticos. Em um cenário onde a maioria dos brasileiros não lê, como será possível construir um futuro mais justo e sustentável?
A pergunta é inevitável: como reverter essa tendência? É imprescindível encontrar soluções para resgatar o hábito de leitura entre as novas gerações.
Estratégias para o resgate da leitura no Brasil
Para que a leitura volte a ocupar um lugar de destaque, é necessário um esforço conjunto entre governo, educadores, famílias e a sociedade em geral. O Senador Astronauta Marcos Pontes, comprometido com a causa da educação, destaca que iniciativas públicas podem fazer a diferença. A criação de campanhas nacionais de incentivo à leitura, a ampliação do acesso aos livros em bibliotecas públicas e escolas e a valorização de projetos como clubes de leitura são passos fundamentais nesse processo.
Além disso, é essencial integrar a tecnologia nesse resgate. Plataformas digitais, aplicativos e audiolivros podem ser grandes aliados para atrair um público jovem, que já está conectado a esses meios. A ideia não é substituir o livro físico, mas somar alternativas que despertem o interesse pelo conteúdo literário.
Contra a Política Nacional do Livro
O Projeto de Lei do Senado nº 49/2015, que busca regular os preços de livros por meio da Política Nacional do Livro, vem gerando polêmica ao propor um limite rígido para descontos em lançamentos. Esse PL pode encarecer o acesso aos livros e afetar a leitura no Brasil. A medida estabelece que os preços de livros recém-lançados sejam fixados por 12 meses e que os descontos não ultrapassem 10% nesse período. Embora a proposta afirme que o objetivo é proteger editoras e livrarias independentes, ela levanta preocupações sobre seus impactos na democratização do acesso à leitura.
Ao limitar os descontos e fixar preços, a concorrência saudável entre empresas pode ser prejudicada, resultando em preços mais altos para os consumidores. Em um país onde o hábito de leitura já enfrenta desafios, como a perda de 7 milhões de leitores nos últimos anos, a medida pode desestimular ainda mais o consumo de livros, especialmente entre famílias com orçamento limitado. Livrarias menores, com menor poder de negociação junto às editoras, também seriam as mais impactadas, pois não conseguiriam competir com grandes redes, restringindo ainda mais o mercado.
A leitura é uma ferramenta poderosa para transformar vidas e construir uma sociedade mais educada e informada. Contudo, políticas que dificultem o acesso aos livros contradizem esse objetivo. Em vez de impor barreiras, é necessário incentivar iniciativas que promovam a leitura e tornem os livros mais acessíveis para todos os brasileiros, especialmente em um cenário econômico desafiador. Mais do que nunca, o Brasil precisa de leitores, e não de medidas que afastem as pessoas dos livros.
Projetos relacionados à educação
De acordo com a pesquisa, dos locais preferidos para ler, 85% dos leitores preferem ler em casa. E as escolas têm se tornado espaços cada vez menos voltados para a leitura, com a participação das salas de aula caindo para 19%. É preciso reverter esse quadro e incentivar a leitura nas escolas. O senador Astronauta Marcos Pontes tem alguns projetos de incentivos as escolas que beneficiam, indiretamente, a leitura dentro do ambiente escolar:
1- PL 4142/2023: institui Bolsa de Iniciação Científica Estudantil, a ser concedida a estudantes da educação básica, integrantes de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família, que se destacarem em competições acadêmicas e científicas de abrangência nacional.
2- PRS 31/2023: Cria a Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica.
3- PL 2849/2023: Dispõe sobre a contribuição previdenciária de estudantes bolsistas de pós-doutorado, das entidades de ensino e pesquisa e dá outras providências.
4- PL 3650/2023: Institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento a ser celebrado, anualmente, no mês de julho.
Incentivando hábitos de leitura
A leitura é uma habilidade essencial que promove o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. Para cultivar esse hábito desde cedo e mantê-lo ao longo da vida, famílias e professores desempenham papeis importantes. Veja algumas estratégias para promoção da leitura:
Para Crianças (0 a 12 anos)
1- Criar um ritual de leitura e um espaço aconchegante;
2- Ofereça uma variedade de livros, mas deixe a criança escolher;
3- Mantenha os livros visíveis e de fácil acesso aos pequenos;
4- As histórias podem virar peças de teatro ou jogos como caça palavras.
Para Adolescentes (0 a 12 anos)
1- Clube do livro com a turma, estimulando debates para o pensamento crítico
2- Sugerir a criação de Blogs ou diários para incentivar a escrita e a criação de histórias
3- Aproveitar a tecnologia oferecendo e-books ou áudio livros e até aplicativos
Para Adultos (18 anos ou mais)
1- Criação de cursos como workshops com técnicas de leitura para melhor compreensão e aprofundamento, além de grupos de discussão;
2- Leitura em família e conversas sobre seu conteúdo
3- Participar de feiras de livros, palestras e lançamentos pode aumentar o interesse pela literatura.
Reflexão e ação para um futuro melhor
Incentivar os hábitos de leitura é uma tarefa coletiva que envolve famílias, escolas e comunidades. Ao implementar algumas estratégias adaptadas para diferentes faixas etárias, é possível cultivar um amor duradouro pela leitura, promovendo não apenas o desenvolvimento pessoal, mas também uma sociedade mais crítica e informada. A leitura amplia o conhecimento, criatividade e empatia – valores essenciais para todos os cidadãos.
Diante dessa realidade, é hora de refletir: o que cada um pode fazer para promover a leitura no Brasil? Famílias devem buscar criar o hábito desde cedo, com leituras compartilhadas e momentos de incentivo à curiosidade das crianças. Escolas precisam trabalhar a literatura de maneira criativa e inspiradora. E a sociedade como um todo deve valorizar a leitura como um bem cultural indispensável.
O Brasil não pode aceitar a leitura como algo em extinção. Recuperar o amor pelos livros é, antes de tudo, um ato de esperança no futuro, um passo para construir uma sociedade mais educada, justa e capaz de enfrentar os desafios do século XXI.


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