“Quando uma menina acredita, a ciência avança”, afirma Senador Astronauta Marcos Pontes

Texto da Coluna Ciência e Tecnologia – IG

Menos de 30% dos pesquisadores no mundo são mulheres

Como astronauta e como senador, eu vi de perto como o mundo perde quando as portas da ciência se fecham para metade da população. Hoje, menos de 30% dos pesquisadores no planeta são mulheres. Isso não é falta de talento. É falta de oportunidade.

A ciência não tem gênero. O talento não tem gênero. A inteligência não tem gênero. Mas as oportunidades, infelizmente, ainda têm barreiras.

A história, porém, mostra algo poderoso: quando uma menina acredita que pode, ela muda tudo.

Pioneiras que abriram caminhos na ciência brasileira

Foi assim com pioneiras como Bertha Lutz, que abriu caminhos quase impossíveis para as mulheres na ciência e na vida pública. Com Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Brasil, que enfrentou preconceitos estruturais e se tornou símbolo de competência e resistência. Com Gioconda Mussolini, que consolidou a Antropologia Social no país.

Consolidadoras que estruturaram áreas estratégicas

Depois vieram as consolidadoras: mulheres que estruturaram áreas estratégicas e deixaram legado institucional duradouro. Johanna Döbereiner revolucionou a agricultura tropical sustentável. Niède Guidon redefiniu o conhecimento sobre o povoamento das Américas e integrou ciência e território. Mayana Zatz consolidou a genética médica no Brasil, aproximando ciência e políticas públicas.

Brasileiras na fronteira do conhecimento global

E hoje temos brasileiras na fronteira do conhecimento global. Celina Turchi foi protagonista na resposta científica à epidemia de Zika. Ester Sabino liderou avanços na vigilância genômica durante a pandemia de COVID-19. Marcelle Soares-Santos é destaque internacional em cosmologia e ondas gravitacionais.

Esses exemplos precisam chegar às nossas crianças. Quando uma menina vê outra mulher no laboratório, no observatório, no hospital ou pesquisando o universo, ela entende algo fundamental: “Esse lugar também é meu.”

Incentivos do MCTI para meninas e mulheres na ciência (2019–2022)

Durante minha gestão no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, entre 2019 e 2022, trabalhamos para ampliar oportunidades concretas para meninas e mulheres na ciência. Fortalecemos iniciativas como o Programa Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação, que apoiou projetos em escolas públicas com bolsas, oficinas e estímulo à permanência feminina em STEM. Mantivemos e expandimos o Programa Futuras Cientistas, oferecendo imersão em laboratórios e experiências reais para alunas do ensino médio. E lançamos, por meio da Finep, o Programa Mulheres Inovadoras, acelerando startups lideradas por mulheres e premiando projetos com recursos que chegavam a R$ 100 mil por edição.

Eu também sou um dos principais defensores das olimpíadas científicas no Brasil, atuando de forma contínua desde o período em que estive à frente do Ministério até a minha atuação no Senado Federal. Como ministro, participei ativamente de premiações e realizei, em 2022, a maior entrega de medalhas das Olimpíadas Científicas promovida pelo MCTI, com 375 estudantes reconhecidos em São Paulo, além de incentivar professores e alunos por meio de webinários e ações de valorização da educação científica. No Senado, consolidei esse compromisso ao propor o PL 3.650/2023, que instituiu o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento (Lei nº 15.331/2026), promovi audiência pública sobre o tema, criei a Frente Parlamentar em Defesa das Olimpíadas Científicas e anunciei proposta para a criação de uma Bolsa de Iniciação Científica Estudantil voltada a alunos de baixa renda que se destacam em competições nacionais. Além da atuação legislativa, recebo medalhistas internacionais, participo de cerimônias como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e mantenho presença constante em eventos educacionais, defendendo as olimpíadas como instrumentos estratégicos para identificar talentos, ampliar oportunidades e impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

O futuro do Brasil depende de todas as mentes

Não se trata de privilégio. Trata-se de justiça e de estratégia nacional.

Um país que limita suas meninas limita seu próprio futuro. O Brasil precisa de todas as suas mentes. Precisa das que já estão produzindo ciência de ponta e das que ainda estão na escola, sonhando em ser engenheiras, médicas, pesquisadoras, programadoras, astrônomas.

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, é uma data que mostra que talento precisa de incentivo, que igualdade precisa de ação e que o futuro do Brasil depende da ciência. E a ciência depende de oportunidades reais.

Às meninas que sonham: acreditem em vocês mesmas. Não desistam. Às mulheres que já estão na ciência: vocês são inspiração e força transformadora. E ao Brasil, deixo uma convicção: quando abrimos espaço para todas, todos nós avançamos.

Parabéns a todas as meninas e mulheres da ciência. O futuro é de vocês e ele já começou.

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