Primeiro dia da exposição “Missão Centenário – 20 anos” mostra que o legado espacial brasileiro segue inspirando novas gerações, com experiências imersivas que aproximam os jovens da ciência.
O Brasil celebra os 20 anos da Missão Centenário
Há 20 anos, o Brasil saiu do chão e chegou ao espaço. Em 2026, comemoramos duas décadas de um dos momentos mais marcantes da nossa história científica e da minha vida: a Missão Centenário. Em 29 de março de 2006, tive a honra de levar a bandeira do Brasil ao espaço, a bordo da nave russa Soyuz TMA-8, rumo à Estação Espacial Internacional, ao lado dos cosmonautas Pavel Vinogradov e Jeffrey Williams, tornando-me o primeiro brasileiro a realizar uma missão espacial.
O nome “Missão Centenário” foi uma homenagem direta aos 100 anos do voo do 14-Bis, de Santos Dumont, conectando o passado pioneiro da aviação ao futuro das explorações espaciais. Para mim, nenhum sonho é grande demais para o nosso país. Há 20 anos, aquele era o sonho de uma nação inteira chegando ao espaço. Eu era apenas o representante de milhões de brasileiros que ousaram acreditar que era possível ir além. E é isso que essa missão significa até hoje: mostrar que, com estudo, disciplina e fé, nenhum sonho é grande demais para o Brasil.
Exposição revive a história da exploração espacial brasileira
O primeiro dia de uma experiência que conecta o Brasil ao espaço. Para celebrar esse marco histórico, está acontecendo, em um shopping de Brasília, uma exposição que vai muito além de uma retrospectiva. Desde a abertura, que aconteceu nesta terça-feira (24/03), fiquei muito feliz em ver o público que passou pelo local, podendo vivenciar de perto esse momento inesquecível que foi a Missão Centenário. Olha, a exposição está bem bacana! Ela convida o público a percorrer uma verdadeira jornada, da conquista do voo espacial até os avanços científicos que impactam a vida na Terra.
Itens históricos e experiências imersivas aproximam jovens da ciência

Na pouca bagagem que levei até a Estação Espacial Internacional (ISS) estavam, além dos oito experimentos brasileiros, uma réplica do chapéu Panamá (aquele chapéu de abas largas que Santos Dumont sempre usava), uma bola de futebol e a bandeira do Brasil. Eu quis levar o chapéu para homenagear o “Pai da Aviação” e celebrar o centenário do primeiro voo do 14-Bis, ocorrido em 1906. Afinal, este é o nome da missão e carrega um profundo simbolismo: o pioneirismo brasileiro na aviação. Esses itens que viajaram ao espaço comigo estão na exposição que mencionei. Os trajes que utilizei na ISS durante a Missão Centenário também estão expostos lá, revelados ao público após 20 anos.

No telão, estão os vídeos que mostram os bastidores da missão, imagens que liberei ao público apenas agora. São registros inéditos que me transportam de volta àquele período intenso de preparação: os treinamentos na Cidade das Estrelas, na Rússia, cada etapa até o acoplamento na Estação Espacial Internacional, em 1º de abril de 2006. É como reviver cada detalhe, cada expectativa, cada desafio.

Há outros itens na exposição que carregam histórias que atravessaram o tempo e o espaço, trazendo uma mistura de emoção e memória. Entre eles, a câmera que registrou imagens da Lua, fragmentos de asteroides e até a roupa oficial utilizada por Charles Duke, o décimo homem a pisar na Lua, na missão Apollo 16. Cada objeto parece contar, em silêncio, um pedaço da história da exploração espacial, o que me faz lembrar o quanto o ser humano é capaz de ir além.

A tecnologia presente na exposição também chama a atenção. Quando as pessoas colocam os óculos de realidade virtual, acabam experimentando a sensação de estar em órbita. De certa forma, é viver, ainda que por alguns instantes, algo muito próximo do que vivi durante aqueles oito dias no espaço: realizando experimentos, observando a Terra de um ângulo único e registrando momentos que nunca saíram da minha memória.

Mas o que mais me emociona é ver as crianças participando das atividades. Oficinas de pintura, dobradura, experiências tecnológicas… tudo pensado para aproximá-las desse universo tão fascinante. Ali, percebi que aquela história não ficou no passado. Ela continua viva, despertando curiosidade, plantando sonhos e mostrando, para as novas gerações, que o espaço não é um limite, é um começo.
Eventos em Brasília e São Paulo celebram o legado espacial
Mas essa data tão especial não será comemorada somente nessa bela exposição. Em Brasília, na capital federal, vou presidir, na próxima segunda-feira (30/03), às 10h, uma solenidade oficial no Senado Federal. Será um momento para celebrar os 20 anos da Missão Centenário e os 32 anos da Agência Espacial Brasileira (AEB). O evento reunirá autoridades, convidados e representantes da comunidade científica, além do público em geral. No mesmo dia, às 15h, será inaugurada oficialmente a exposição “Universo Espacial – A Terra é Azul”, no Brasília Shopping, seguida de um coquetel de abertura.
Já em São Paulo, no domingo de Páscoa (05/04), às 18h, participarei da Páscoa Cultural com o concerto especial “Entre o Céu e o Som – Harmonia Transcendental”, no Centro Cultural São Paulo. O evento propõe uma experiência artística inspirada na conexão entre ciência, universo e espiritualidade.
Vem aí… Livro revela os bastidores inéditos da missão
Essa programação também carrega algo muito especial para mim. Tive a alegria de escrever o livro “Bastidores da Missão Centenário”, uma obra construída junto com colegas que viveram aquela missão de diferentes formas. Foi como se tivéssemos aberto um baú de memórias.
Ali, conseguimos registrar detalhes que nunca haviam sido contados: os bastidores, os desafios, as emoções, os momentos de tensão e também as conquistas silenciosas que fizeram tudo acontecer. Cada página carrega um pouco da verdade daquela jornada, contada por quem esteve dentro dela.
Revisitar tudo isso trouxe uma nostalgia profunda, mas também um sentimento de gratidão. Porque a Missão Centenário não foi apenas um marco na história, ela deixou um legado vivo na ciência, na educação e, principalmente, nos sonhos que continua despertando até hoje.
O futuro: da Missão Centenário à Missão Artemis
E, ao mesmo tempo, olhar para esse passado me faz perceber o quanto ainda estamos avançando. A Missão Artemis, por exemplo, mostra que aquilo que começamos lá atrás continua abrindo caminhos para o futuro, conectando a nossa história com as próximas grandes conquistas da humanidade no espaço.
Se você gosta de temas como esse, me acompanhe para saber quando o livro será lançado.
Contato:
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E-mail: imprensa.astronautamarcospontes@senado.leg.br
Telefone: (61) 3303-1177/ (61) 99275-7274 / (11) 98181-9983


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