Entenda como funciona a votação secreta e por que a ausência de voto pode ser a única forma de demonstrar posição contrária
Quem me acompanha sabe que eu sempre defendi o princípio da verdade e da transparência total nas decisões públicas.
Por isso, começo sendo direto: sou contra o voto secreto no Senado.
Quando um parlamentar decide o futuro do país, especialmente em votações tão relevantes como a indicação para o Supremo Tribunal Federal ou a recondução de autoridades, o povo deveria ter o direito de saber exatamente como cada um votou. Mas essa não é a realidade hoje.
E é justamente por isso que, em determinadas situações, precisamos agir com inteligência para garantir que a verdade apareça.
Painel do Senado: o que significam as cores
Em votações desse tipo, como indicações ao STF ou ao cargo de Procurador-Geral da República, existe uma regra clara:
- Só contam os votos “SIM” para aprovação
- São necessários pelo menos 41 votos favoráveis
O problema é que o voto é secreto.
Ou seja, qualquer senador pode dizer publicamente que votou “não”… e, na prática, apertar “sim”. E ninguém nunca saberá.
Isso abre espaço para incoerência, para pressão e, infelizmente, para falta de transparência.
Estratégia para garantir transparência
Diante disso, existe um mecanismo visível ao cidadão:
No painel do Senado:
Quem vota aparece em AMARELO
Quem registra presença e não vota aparece em BRANCO
E aqui está o ponto central:
– BRANCO é a única forma visível de provar que você não votou “SIM”
– AMARELO esconde o conteúdo do voto
Por isso, em votações secretas, quando sou contra uma indicação, utilizo essa estratégia: registro presença e não voto.
Isso não é omissão.
Isso é responsabilidade.
O caso da recondução do PGR
Recentemente, houve críticas ao fato de eu não ter registrado voto na recondução do Procurador-Geral da República.
Para ser aprovado, precisa de 41 votos “SIM”
O painel não mostra quem votou “SIM” ou “NÃO”
A única forma de garantir que meu voto não foi “SIM” é não votar
Portanto, ao não registrar voto, deixei claro que meu voto não está entre os votos que aprovaram. Isso é transparência dentro de um sistema que, infelizmente, não é transparente.
Convicção e coerência
Eu não mudo de posição.
Já me manifestei publicamente contra decisões e indicações quando entendi que não eram as melhores para o país. Fiz isso na tribuna, em vídeos, em posicionamentos claros. E continuo fazendo.
Mas não vou cair na armadilha de um sistema que permite que o discurso público seja diferente da prática no painel.
O Brasil precisa de verdade, não de narrativa
Hoje, mais do que nunca, o Brasil precisa de clareza. Precisa de coerência.
Precisa de políticos que tenham coragem de agir com estratégia, mas sem abrir mão dos princípios.
Eu prefiro ser julgado pelos fatos.
– Meu voto não contribuiu para decisões com as quais eu não concordo.
E faço um apelo à população. Não se deixe levar por narrativas sem compreensão do funcionamento real do sistema.
Busque informação. Verifique. Entenda. A democracia se fortalece quando a verdade prevalece.
Por um Brasil mais transparente!
É importante deixar claro que essa estratégia vale apenas para votações específicas no Senado em que o voto é secreto, como indicações de autoridades. Nesse contexto, registrar presença e não votar pode ser a única forma visível de demonstrar que você NÃO contribuiu com um “SIM”. Já nas eleições presidenciais nacionais, a lógica é completamente diferente. O voto do cidadão é secreto para proteger sua liberdade individual. Ou seja, no Senado o desafio é dar transparência a uma decisão institucional secreta; nas eleições, o sigilo protege o eleitor.
Seguirei defendendo a transparência total. E seguirei trabalhando com o mesmo compromisso que me trouxe até aqui, fazer o que é certo, mesmo quando nem todos entendem de imediato.
Porque, no final, não é sobre aparência. É sobre verdade.


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